Retinopatia Diabética

 O diabetes

Prof. Dr. Rony C. Preti explica que o “diabetes mellitus” (DM) é uma síndrome metabólica complexa em que ocorre uma deficiência relativa ou absoluta de insulina, afetando o metabolismo dos carboidratos, lipídios e proteínas. Estima-se que no Brasil 7,6% da população urbana entre 30 e 69 anos apresente DM, sendo que 46% dos casos não sabem ser portadores.

A doença está associada a complicações crônicas cardiovasculares, do sistema nervoso autonômico e microvasculares. Uma das complicações microvasculares mais importantes do DM é a retinopatia diabética (RD). No Brasil, estima-se que metade dos pacientes portadores de DM seja afetada pela RD, sendo responsável por 7,5% das causas de incapacidade dos adultos para o trabalho. O acometimento da retina pelo diabetes aumento com a duração da doença. Após 20 anos de doença, aproximadamente 99% dos portadores de DM tipo 1 e 60% dos tipo 2 tem algum grau de retinopatia diabética.

O que é a retinopatia diabética?

retinopatia diabética acontece quando os vasos da retina são afetados e por isto, eles passam a deixar que líquido extravase para a retina causando o edema. Outra forma de  acometimento é o intupimento dos vasos e assim, a retina deixa de receber sangue para ser nutrida e se manter viva levando assim a isquemia.

Com que frequência devo avaliar se tenho retinopatia diabética?

Todos os pacientes diabéticos necessitam de exame fundo de olho e a freqüência deste vai depender dos achados no exame inicial. A Academia Americana de Oftalmologia recomenda que pacientes diabéticos tipo 1 devem ser examinados 5 anos após o diagnóstico da doença, pois a retinopatia diabética raramente é encontrada antes deste período. Já os diabéticos tipo 2 devem ser examinados assim que diagnosticados, porque algum grau de retinopatia pode ser encontrada neste momento.

Quais os tipos de retinopatia diabética?

Na classificação da retinopatia diabética temos a forma não proliferativa e a proliferativa. O edema macular diabético, é quando há extravazamento de líquido para a retina e pode estar presente em ambas as formas.

Quais os sintomas causados pela retinopatia diabética?

Dentre os sintomas temos visão borrada, visão torta, embaçamento visual e manchas negras na visão todos estes encontrados, principalmente, quando temos o edema macular diabético. Quando tem-se a forma proliferativa, o paciente pode apresentar a sensação de estar vendo teias de aranha ou já perder a visão subitamente por um sangramento grave dentro do olho.

Quais os exames usados no diagnóstico da retinopatia diabética?

1. Mapeamento de retina, figura 1;

2. Retinografia, abaixo a sua esquerda a retinografia de um paciente com o tipo não proliferativo e a sua esquerda com o tipo proliferativo com a presença de vasos anormais e sangramento, mancha vermelho escuro;5especialista em retinopatia diabetica Rony Preti

3. Angiografia da retina;

4. Tomografia de coerência óptica; e

5. Ultrasom do olho para aqueles casos com sangramento dentro do olho.

O que há de novo no diagnóstico e acompanhamento da retinopatia diabética?

1. Angiografia por tomografia de coerência óptica que dispensa uso de contraste e assim, reduz a chance de efeitos colaterais, como vômitos e alergias

Quais são os tratamentos da retinopatia diabética?

1. Medidas gerais

Tanto o oftalmologista quanto o generalista ou endocrinologista, devem ter em mente que o tratamento da RD visa intervenção primária e secundária. Na primária o objetivo da terapêutica visa o controle da hipertensão arterial sistêmica, colesterol, visto que estudos observacionais sugerem que a dislipidemia aumenta o risco de RD, particularmente o edema macular e a pressão arterial não controlada, causa o aparecimento e piora da retinopatia diabética.

Contudo, é o controle da glicemia que tem maior importância no aparecimento e piora da retinopatia diabética.

Hemoglobina glicada HbA1C

Realizado com a retirada de uma pequena amostra do sangue dos pacientes e sem a necessidade de jejum, a hemoglobina glicada é o principal exame para avaliar o controle do diabetes. Ela mostra o controle do diabetes do paciente nos últimos 3 meses, ao contrário da glicemia de jejum ou glicemia capilar que reflete o controle naquele momento. Quando o paciente não tem diabetes, exame maior ou igual a 6,5% o diagnóstico é de diabetes (a ser confirmado com segundo exame), menor do que 5,7% tem baixo risco de diabetes e entre 5,7 e 6,4% seria pré-diabetes
Os paciente que já foram diagnosticados com diabetes tem que ter o exame de HbA1C menor que 7%, pois assim, estão menos sujeitos a complicações vasculares.

O controle dos fatores acima faz com que o paciente apresente um melhor resultado no tratamento do olho!

O que há de novo no tratamento da retinopatia diabética?

Recentemente, tem se observado que os pacientes podem se beneficiar da ingesta de luteína e zeaxantina, pois estes protegem os fotorreceptores de sofrerem dano oxidativo da luz azul, que é a luz visível de alta energia.

2. Tratamento específico do olho?

Já o tratamento específico do olho consiste em aplicação de laser e medicações intra-vítreas (Fig. 2, abaixo).

A. injeção de medicamentos dentro do olho.

Nos últimos anos várias medicações tem sido usadas para o tratamento do edema macular diabético. Entre elas temos os anti-inflamatórios denominados corticóides, fig. 3, abaixo,  e mais recentemente, medicamentos antiangiogênicos, que tem a propriedade de inibir o “Vascular Endothelial Growth Factor” Lucentis® e o Eylea entre outros. O organograma ilustrado na figura 4, abaixo, mostra os tipos de tratamento do edema macular diabético de acordo com suas características.

B. Uso do laser na retinopatia diabética.

O tratamento da forma proliferativa é feita com laser, fig. 2, abaixo, na qual marcas de laser são aplicadas por toda a retina para destruição do tecido. Entretanto, em certos casos, existe a necessidade de realização de Vitrectomia Pars Plana, como nos pacientes com proliferativa avançada incluindo aqueles casos em que há hemorragia dentro do olho que não se absorveu.

E por último, se a doença causar seqüela visual irreversível, temos os auxílios de visão sub-normal, que utiliza lupas e telelupas para magnificação visual.

Nos últimos anos, aconteceram vários avanços no tratamento da RD determinados por estudos multicêntricos e novas perspectivas de melhores resultados surgiram com o aparecimento de novas medicações de aplicações intravítreas.

Para leitura completentar:

https://en.wikipedia.org/wiki/Diabetic_retinopathy

https://www.aao.org/eye-health/diseases/what-is-diabetic-retinopathy

http://www.cbo.com.br/pacientes/doencas/doencas_retinopatia_diabetica.htm

Fig. 1. Retinografia do olho esquerdo mostrando alterações microvasculares da retinopatia diabética.

Fig. 1. Retinografia do olho esquerdo mostrando alterações microvasculares da retinopatia diabética.

Fig. 2. Fundo de olho do paciente diabético ilustrando inúmeras marcas de laser

Fig. 2. Fundo de olho do paciente diabético ilustrando inúmeras marcas de laser

Fig. 3. Ilustração de injeção de medicação dentro do olho

Fig. 3. Ilustração de injeção de medicação dentro do olho

Fig. 4. Organograma para tratamento do edema macular diabético

Fig. 4. Organograma para tratamento do edema macular diabético